Ir para o conteúdo
EGIcontabilidade

Planejamento tributário

Fator R no Simples Nacional: como sair do Anexo V no Rio de Janeiro

O Fator R é o cálculo que divide a folha de pagamento dos últimos 12 meses pela receita bruta do mesmo período. Quando o resultado atinge 28%, a empresa de serviços deixa o Anexo V e passa a ser tributada pelo Anexo III do Simples Nacional — a alíquota inicial cai de 15,5% para 6%. Abaixo de 28%, permanece no anexo mais caro.

Ilustração editorial para o artigo Fator R no Simples Nacional: como sair do Anexo V no Rio de Janeiro

O que é o Fator R e como ele é calculado?

Fator R é a razão entre a massa salarial e o faturamento da empresa nos 12 meses anteriores ao período de apuração. A fórmula é simples: divida a folha de pagamento pela receita bruta e multiplique por 100. Se o percentual for igual ou maior que 28%, a atividade migra para o Anexo III.

O detalhe que muda tudo está no que entra como folha. Não é apenas o salário dos funcionários registrados. Entram também o pró-labore dos sócios, a Contribuição Previdenciária Patronal, o FGTS e o 13º salário. Para uma empresa de serviços com poucos empregados, o pró-labore costuma ser o item de maior peso — e é exatamente por isso que ele decide o anexo.

O cálculo é refeito todo mês, sempre olhando para a janela dos 12 meses anteriores. Ou seja: o enquadramento não é uma decisão anual travada, é um resultado móvel. Uma empresa pode estar no Anexo III em março e cair para o Anexo V em julho sem ter mudado nada na estrutura, só porque o faturamento subiu mais rápido que a folha.

Qual a diferença real entre o Anexo III e o Anexo V?

A diferença está na alíquota efetiva e na velocidade com que ela sobe conforme o faturamento cresce. Na primeira faixa, o Anexo III começa em 6% e o Anexo V em 15,5% — uma distância de 9,5 pontos percentuais sobre todo o faturamento.

Em faturamentos maiores a diferença percentual entre os dois anexos diminui, mas o valor absoluto continua relevante. Por isso o Fator R importa mais para quem está nas faixas iniciais e intermediárias — que é a maioria das empresas de serviço do Rio.

Anexo IIIAnexo V
Alíquota da 1ª faixa6%15,5%
Quem se enquadraServiços com Fator R ≥ 28%Serviços com Fator R < 28%
Peso da folhaAlto (é o que garante o anexo)Baixo
Perfil típicoClínica, agência, consultoria com equipe registradaPrestador com equipe enxuta ou PJ terceirizada
RecálculoMensal, sobre os 12 meses anterioresMensal, sobre os 12 meses anteriores

Quais atividades dependem do Fator R?

Dependem do Fator R as atividades de serviço listadas na Lei Complementar 123 que podem transitar entre os dois anexos conforme a folha. Fisioterapia, arquitetura, engenharia, publicidade, medicina veterinária, odontologia, psicologia, jornalismo, consultoria e desenvolvimento de software estão entre elas.

Nem toda empresa de serviço está sujeita ao cálculo. Algumas atividades são fixas no Anexo III independentemente da folha, e outras são fixas no Anexo V. Antes de qualquer ajuste de pró-labore, o primeiro passo é confirmar se o seu CNAE realmente permite a migração — mexer na folha de uma empresa que não transita entre anexos só aumenta custo sem reduzir imposto. É o tipo de conferência que fazemos logo na primeira análise dentro do planejamento tributário, antes de recomendar qualquer mudança.

Se você não sabe se o seu CNAE permite a migração, manda a atividade no WhatsApp que a gente confere.

Vale a pena aumentar o pró-labore só para atingir os 28%?

Depende da conta. Aumentar o pró-labore eleva a folha e ajuda a cruzar os 28%, mas também gera INSS de 11% sobre o valor e Imposto de Renda na fonte conforme a tabela progressiva. A migração só compensa quando a economia no Simples supera esse custo adicional.

Existe um ponto de equilíbrio, e ele é diferente para cada empresa. Depende do faturamento anual, de quanto a folha já representa hoje e de quanto falta para chegar aos 28%. Uma empresa que está em 26% precisa de um ajuste pequeno e quase sempre sai ganhando. Uma que está em 12% precisaria de um aumento tão grande de folha que o remédio custaria mais que a doença.

O erro mais comum que vemos é o oposto do que se imagina: não é deixar de fazer o ajuste, é fazer o ajuste no chute. Empresário que aumenta o pró-labore sem simular acaba pagando folha demais para economizar de menos — e ainda descobre em dezembro que cruzou a linha por dois meses e voltou. Por isso o acompanhamento é mensal, dentro da nossa rotina de contabilidade empresarial, com o Fator R monitorado todo mês junto com o balancete.

Como saber em qual anexo minha empresa está hoje?

O anexo aplicado aparece no extrato do Simples Nacional, dentro do PGDAS-D, e também pode ser identificado pela alíquota efetiva que está sendo cobrada na guia DAS. Se você paga uma alíquota bem acima de 6% na primeira faixa, provavelmente está no Anexo V.

Vale conferir também o histórico dos últimos 12 meses, não só o mês atual. Muitas empresas alternam entre os anexos sem perceber, e essa oscilação é justamente o sinal de que o Fator R está rodando na fronteira dos 28% — a situação que mais justifica um ajuste planejado.

Resumo rápido

O que é o Fator R?
A divisão da folha dos últimos 12 meses pela receita bruta do mesmo período.
Qual o percentual que importa?
28%. Igual ou acima disso, a empresa vai para o Anexo III.
Quanto muda na alíquota?
De 15,5% para 6% na primeira faixa do Simples Nacional.
O pró-labore entra na conta?
Entra, junto com salários, CPP, FGTS e 13º — e costuma ser o item decisivo.
De quanto em quanto tempo é recalculado?
Todo mês, sempre sobre a janela dos 12 meses anteriores.
Aumentar o pró-labore sempre compensa?
Não. Só quando a economia no Simples supera o INSS e o IRRF gerados pelo aumento.

Perguntas frequentes

  • Não. O MEI recolhe um valor fixo mensal pelo DAS e não é tributado pelas tabelas dos anexos do Simples Nacional. O Fator R passa a valer quando a empresa é desenquadrada e migra para Microempresa dentro do Simples.

Todos os artigos

Simulação sem compromisso

Descubra se a sua empresa pode sair do Anexo V

Contador e economista no mesmo atendimento: a gente calcula o Fator R da sua folha e mostra se o ajuste compensa antes de mexer em qualquer coisa.

Quero simular o Fator R da minha empresa
Falar com um contador agora